Tabela de disjuntores: bitolas, correntes e curvas B/C/D

Escolher o disjuntor errado é um dos erros mais comuns em projetos elétricos residenciais e comerciais, e as consequências são sérias nas duas direções. Um disjuntor subdimensionado desarma sem parar, interrompendo a operação. Um superdimensionado não protege o cabo: quando a fiação esquenta além do limite, o dispositivo simplesmente não desarma, e o resultado pode ser um incêndio dentro da parede.

A NBR 5410 define as regras do jogo, mas nem todo eletricista sabe cruzar as tabelas certas: corrente admissível pelo método de instalação, seção mínima obrigatória, fator de agrupamento e curva de disparo adequada ao tipo de carga. Cada variável importa. Ignorar uma delas compromete toda a proteção do circuito.

Nesta tabela de disjuntores você vai encontrar a relação de bitolas versus correntes versus dispositivos recomendados, a comparação completa das curvas B, C e D, os valores por circuito típico (iluminação, tomadas, chuveiro, ar-condicionado) e o cálculo passo a passo da corrente a partir da potência. No Cálculos Elétricos, reunimos as referências normativas mais usadas no dia a dia do projeto elétrico.

Como a NBR 5410 define a corrente admissível por bitola

A norma não apresenta uma tabela única de “bitola versus corrente” porque a corrente máxima do cabo depende do método de instalação, do tipo de isolação e do número de condutores carregados. Os valores oficiais estão distribuídos nas Tabelas 36 a 39, cruzadas com o método de referência da Tabela 33. Para instalações residenciais, o método B1 (cabo embutido em alvenaria ou concreto) é o mais comum e serve como referência principal. Para referência prática, veja a tabela de cabos elétricos com valores comparativos.

Tabela de disjuntores: bitolas recomendadas por corrente admissível

Os valores abaixo correspondem a cabos de cobre com isolação PVC 70°C pelo método B1, com dois condutores carregados, conforme a Tabela 36 da NBR 5410:2004 (coluna método B1, 2 condutores carregados). Para outros métodos de instalação ou isolação XLPE/EPR (90°C), consulte as Tabelas 37 a 39 da mesma norma, pois os valores de corrente admissível podem ser significativamente diferentes, por exemplo, 6 mm² pode atingir 41 A em condições mais favoráveis. O Guia de dimensionamento de baixa tensão traz tabelas e exemplos práticos. O disjuntor recomendado corresponde ao valor comercial imediatamente abaixo da corrente admissível do cabo (In ≤ Iz), conforme exigido pela NBR 5410.

Bitola (mm²)Corrente admissível, Iz (A)Disjuntor recomendado, In (A)Aplicação comum
1,5 mm²14,5 A10 AIluminação, lâmpadas LED
2,5 mm²19,5 A16 A / 20 ATomadas de uso geral (TUG) e específico (TUE)
4,0 mm²27,0 A25 AChuveiros simples, equipamentos de cozinha
6,0 mm²34,0 A32 AChuveiro potente, ar-condicionado, forno elétrico
10,0 mm²46,0 A40 AEntrada padrão monofásico
16,0 mm²62,0 A50 A / 60 AEntrada padrão bifásico/trifásico

A regra fundamental: a corrente nominal do disjuntor termomagnético nunca deve superar a capacidade de corrente do cabo que ele protege. Se o disjuntor tem 40 A mas o cabo admite apenas 27 A, a proteção é ineficaz, a fiação queima antes de o dispositivo atuar.

Dois fatores reduzem a corrente admissível e precisam ser aplicados antes de fechar o dimensionamento.

O agrupamento de cabos, tratado na Tabela 42 da NBR 5410, exige desconto progressivo: três circuitos no mesmo eletroduto aplicam fator 0,70 sobre a corrente admissível do cabo. Esse desconto não é opcional, os cabos agrupados trocam calor entre si, elevando a temperatura de operação além do previsto.

A temperatura ambiente acima de 30°C, conforme a Tabela 40 da norma, acrescenta outro desconto: a 35°C, o fator de correção é 0,94 para isolação PVC. Se a instalação utilizar cabos com isolação XLPE ou EPR (90°C), os valores estão na Tabela 37.

Curvas B, C e D: critérios claros para cada tipo de carga

A curva de disparo define a faixa de corrente instantânea, expressa em múltiplos da corrente nominal (In), que aciona o disparo magnético do disjuntor em situação de curto-circuito, sem retardo de tempo. A proteção térmica contra sobrecarga é igual nas três curvas, a diferença está exclusivamente no comportamento magnético, conforme a IEC 60898.

CurvaFaixa de disparo magnéticoSensibilidadeExemplo para In = 16 A
B3×In a 5×InAltaDispara entre 48 A e 80 A
C5×In a 10×InMédiaDispara entre 80 A e 160 A
D10×In a 20×InBaixaDispara entre 160 A e 320 A

A escolha da curva segue uma lógica direta: se a carga tem pico de arranque elevado, corrente de partida que pode chegar a 6 a 12 vezes a corrente nominal, use uma curva menos sensível para evitar disparos indevidos. Se a prioridade é proteção rápida para cargas eletrônicas ou cabos longos em regime TN, a curva B é a indicada. Sempre consulte as curvas tempo×corrente do fabricante para confirmar a adequação ao equipamento específico.

  • Curva B: geradores, equipamentos eletrônicos sensíveis, sistemas de alarme, cabos de grande comprimento em regime TN.
  • Curva C: padrão para instalações residenciais e comerciais em geral, eletrodomésticos, iluminação, tomadas.
  • Curva D: motores industriais com alto pico de arranque, transformadores grandes, bombas e máquinas com partida pesada.

Usar curva D em instalação residencial é um erro que reduz a proteção das pessoas: o dispositivo demora mais para atuar em curtos de baixa impedância. Curva B em motor com pico de arranque elevado, por sua vez, gera disparos constantes e desgasta o equipamento.

Tabela de disjuntores por circuito residencial e comercial: valores de campo

A tabela abaixo consolida os valores mais usados no dimensionamento cotidiano, com base nas seções mínimas obrigatórias da NBR 5410 (1,5 mm² para iluminação e 2,5 mm² para força) e nas potências típicas de cada aplicação. Os valores de disjuntor indicados seguem a regra In ≤ Iz e devem ser recalculados quando houver agrupamento de circuitos ou temperatura ambiente elevada.

CircuitoDisjuntorBitolaCurvaObservação
Iluminação10 A1,5 mm²CAté 8 pontos por circuito, conforme NBR 5410, item 9.1
TUG (tomadas gerais)16 A2,5 mm²CTV, computador, carregadores
TUE (cozinha/lavanderia)20 A2,5 mm²CMicro-ondas, máquina de lavar
Chuveiro 5500 W / 220 V32 A6 mm²CCircuito exclusivo obrigatório
Chuveiro 7500 W / 220 V40 A10 mm²CI ≈ 34 A; 6 mm² (Iz = 34 A pelo método B1) não comporta disjuntor de 40 A, use 10 mm² (Iz = 46 A)
Ar-condicionado até 9000 BTU15 A2,5 mm²CCircuito exclusivo recomendado
Ar-condicionado alta potência32 A6 mm²CVerificar plaqueta do equipamento
Forno elétrico / cooktop32 A6 mm²CCircuito exclusivo obrigatório
Motor pequeno (menos de 1 CV)20 A2,5 mm²C ou DDefinir conforme pico de arranque

Para motores médios (até 3 CV trifásico, tensão de linha 220 V), o dimensionamento parte da corrente nominal indicada na plaqueta do equipamento, multiplicada pelo fator de serviço. A tensão de 220 V em motores trifásicos refere-se à tensão linha, linha. Use sempre a fórmula trifásica completa com fator de potência e eficiência, os dados estão na plaqueta do motor e não devem ser estimados.

Como calcular a corrente a partir da potência do equipamento

Para circuitos monofásicos com cargas resistivas puras (chuveiro, forno, aquecedor), o cálculo é direto: I = P / V. Um micro-ondas de 1200 W ligado a 220 V consome I = 1200 / 220, ou seja, aproximadamente 5,45 A. Quando o mesmo circuito atende vários pontos, some as correntes individuais para obter a corrente total do circuito.

Para circuitos com cargas indutivas (motores, compressores), o cálculo trifásico usa a fórmula completa:

I = P / (V × √3 × cos φ × η)

Exemplo prático: motor de 3 CV (2208 W), tensão de linha 220 V, fator de potência 0,85 e eficiência 87,5%. O cálculo resulta em: I = 2208 / (220 × 1,732 × 0,85 × 0,875) ≈ 7,81 A. O fator de potência e a eficiência estão sempre na plaqueta do equipamento. Nunca estime esses valores, use os dados reais do fabricante.

Com a corrente de projeto calculada, o disjuntor deve atender a dois critérios ao mesmo tempo: In do disjuntor maior ou igual à corrente de projeto (Ip) e menor ou igual à capacidade de condução do cabo (Iz). Fora dessa faixa, a proteção está comprometida. O Cálculos Elétricos disponibiliza calculadoras elétricas interativas para automatizar esse processo e reduzir erros de dimensionamento. Para revisar conceitos sobre como determinar a corrente nominal, consulte também o artigo prático da ABB sobre corrente nominal: como calcular.

Erros que comprometem o dimensionamento na prática

O erro mais perigoso é instalar um disjuntor maior “para evitar que ele desarme”. Se o cabo admite 27 A e o dispositivo instalado é de 40 A, a fiação pode operar em sobrecarga por horas sem qualquer atuação. A isolação deteriora progressivamente, por efeito térmico acumulado, até atingir o ponto de ignição, gerando um incêndio elétrico dentro da parede sem nenhum sinal visível antes do sinistro.

Ignorar os fatores de agrupamento é outro problema frequente. Instalar quatro ou cinco circuitos no mesmo eletroduto sem aplicar o fator de correção da Tabela 42 da NBR 5410 significa que cada cabo opera acima da sua capacidade real. O fator 0,70 para três circuitos agrupados existe porque os cabos trocam calor entre si e a temperatura de operação sobe além do previsto pelo dimensionamento individual.

A escolha inadequada da curva também compromete a segurança. Curva D em instalação residencial retarda o disparo em curtos de baixa impedância, reduzindo a proteção das pessoas. Curva B em motor com pico de arranque elevado gera disparos indevidos constantes, desgasta o equipamento e obriga substituições desnecessárias.

Por que a tabela de disjuntores é o ponto de partida, não o projeto completo

Dimensionar o disjuntor correto responde ao “quanto proteger”, mas um projeto elétrico conforme a NBR 5410 vai além. Ele inclui o quadro de distribuição, a seletividade entre disjuntores (para que apenas o dispositivo mais próximo do defeito atue), a proteção diferencial residual (DR de 30 mA em banheiros, cozinhas e áreas externas), o aterramento e, quando aplicável, o SPDA.

O aterramento merece atenção especial porque é o que garante o funcionamento correto dos disjuntores diferenciais. Sem aterramento adequado, o DR não detecta a fuga de corrente com eficiência e a proteção contra choque elétrico fica prejudicada, independentemente de todos os outros dispositivos estarem corretamente dimensionados. Instalações industriais e comerciais frequentemente exigem laudo técnico de aterramento e, em muitos casos, laudo de SPDA para emissão do AVCB junto ao Corpo de Bombeiros.

O Cálculos Elétricos oferece conteúdo técnico atualizado com base na NBR 5410 e na NBR 5419, calculadoras elétricas interativas e serviços profissionais de projetos elétricos e laudos técnicos para empresas e pessoas físicas em todo o Brasil. Se a sua instalação precisa de um projeto assinado por engenheiro ou de um laudo de aterramento, fale com o projetos elétricos, SPDA e aterramento da nossa equipe.

Conclusão

A tabela de disjuntores é uma ferramenta valiosa, mas funciona bem apenas quando aplicada com conhecimento das curvas de disparo, dos fatores de correção e do tipo de carga de cada circuito. Bitola adequada à corrente do circuito, disjuntor com In dentro da faixa permitida pela Iz do cabo e curva compatível com o comportamento da carga, esses critérios precisam ser avaliados em conjunto, não isoladamente.

Um projeto elétrico bem executado, com aterramento dimensionado e proteção diferencial instalada nos pontos corretos, é o que transforma uma instalação segura no papel em uma instalação segura na prática. A tabela começa esse caminho. O projeto elétrico completo o conclui.

Para ir além das tabelas e garantir que cada decisão do projeto esteja respaldada pela norma, acesse o Cálculos Elétricos: artigos técnicos e guias, calculadoras interativas e engenheiros prontos para assinar o seu projeto.

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