💡 Dica: Clique nas cores da tabela para montar o resistor, ou digite o valor no campo acima.
O que é o Código de Cores do Resistor
O código de cores do resistor é um sistema padronizado de faixas coloridas aplicadas ao corpo do componente para indicar seu valor de resistência elétrica, tolerância e outras características técnicas. Cada cor representa um número específico, permitindo que o valor em ohms seja identificado visualmente, sem a necessidade de instrumentos de medição.
Esse sistema é fundamental em eletrônica porque resistores são componentes passivos de tamanho reduzido. Imprimir números legíveis diretamente sobre eles seria inviável na maioria dos casos.
Origem e padronização do sistema de cores (norma IEC 60062)
O sistema de código de cores do resistor não surgiu por acaso. Ele foi desenvolvido para resolver um problema prático: como identificar componentes eletrônicos pequenos de forma rápida, universal e sem depender de idioma.
A norma que rege o código de cores do resistor atualmente é a IEC 60062, publicada pela International Electrotechnical Commission. Ela define:
- As cores utilizadas e seus valores numéricos correspondentes
- A sequência de leitura das faixas
- Os símbolos para tolerância e coeficiente de temperatura
- As regras de aplicação para resistores fixos e outros componentes passivos
O padrão foi adotado globalmente e garante que um resistor fabricado no Japão, na Alemanha ou no Brasil siga exatamente a mesma codificação. Isso é essencial em projetos de eletrônica industrial, automação e reparos técnicos.
Por que resistores usam cores em vez de numeração impressa
A escolha pelo sistema de cores tem razões práticas e técnicas bem definidas.
Resistores do tipo convencional, chamados de resistores de filme de carbono ou filme metálico, têm corpo cilíndrico com diâmetro que varia entre 1,5 mm e 6 mm. Nesse espaço, imprimir números pequenos o suficiente seria:
- Difícil de ler a olho nu
- Suscetível a apagamento pelo calor, atrito e solventes
- Dependente de idioma ou sistema numérico local
As faixas de tinta colorida, por outro lado, são:
- Visíveis mesmo em componentes muito pequenos
- Resistentes ao desgaste físico e térmico
- Universalmente compreendidas independentemente do país de fabricação
Além disso, o sistema permite leitura rápida durante a montagem de circuitos, o que reduz erros e aumenta a produtividade em linhas de produção e bancadas técnicas.
Quais componentes eletrônicos utilizam o mesmo sistema
O código de cores do resistor não é o único sistema de identificação visual em eletrônica. Outros componentes passivos também utilizam padrões similares ou baseados na mesma norma IEC 60062.
Os principais são:
- Capacitores de filme e cerâmicos: usam códigos de cores ou estampagem numérica derivada da mesma tabela
- Indutores axiais: frequentemente codificados com faixas de cor no mesmo padrão
- Diodos de baixa potência: em alguns modelos, a faixa indica a polaridade ou o modelo do componente
- Fusíveis de vidro: a cor do corpo ou das tampas metálicas pode indicar a corrente nominal
Vale destacar que, em componentes SMD (montagem superficial), o código de cores foi substituído por estampagem numérica diretamente na superfície, justamente por conta do tamanho ainda mais reduzido desses componentes.
Conhecer o sistema de identificação de componentes é, portanto, uma habilidade base para qualquer pessoa que trabalha com eletrônica, desde o iniciante em Arduino até o técnico em manutenção industrial.
As Cores e Seus Valores Numéricos
O sistema de código de cores do resistor utiliza 10 cores principais, cada uma representando um dígito de 0 a 9. Além dessas, existem cores especiais usadas exclusivamente para indicar multiplicador, tolerância e coeficiente de temperatura. Conhecer essa tabela é o ponto de partida para qualquer leitura de resistor.
Tabela completa das 10 cores e seus dígitos correspondentes
Cada cor aplicada nas faixas de um resistor tem um valor numérico fixo, definido pela norma IEC 60062. A tabela abaixo apresenta as 10 cores com seus respectivos dígitos e valores de multiplicador:
| Cor | Dígito | Multiplicador |
|---|---|---|
| Preto | 0 | ×1 |
| Marrom | 1 | ×10 |
| Vermelho | 2 | ×100 |
| Laranja | 3 | ×1.000 |
| Amarelo | 4 | ×10.000 |
| Verde | 5 | ×100.000 |
| Azul | 6 | ×1.000.000 |
| Violeta | 7 | ×10.000.000 |
| Cinza | 8 | ×100.000.000 |
| Branco | 9 | ×1.000.000.000 |
A sequência segue uma lógica cromática que vai do preto ao branco, passando pelas cores do espectro visível. Isso facilita a memorização quando associada a técnicas mnemônicas.
Mnemônicos e técnicas para memorizar a sequência de cores
Memorizar a ordem das 10 cores é uma das primeiras dificuldades de quem está aprendendo a usar o código de cores do resistor. Por isso, existem frases mnemônicas criadas para fixar a sequência de forma mais rápida.
A frase mais usada no Brasil é:
“Preto Marrom Rói Ou Anda? Verde Azul Violeta Cinza Branco”
Onde cada inicial corresponde a uma cor na ordem correta:
- Preto = 0
- Marrom = 1
- Rvermelho = 2
- Olaranja = 3
- Amarelo = 4
- Verde = 5
- Azul = 6
- Violeta = 7
- Cinza = 8
- Branco = 9
Além da frase mnemônica, outras estratégias eficientes incluem:
- Praticar a leitura de resistores físicos com a tabela em mãos até internalizar os valores
- Usar aplicativos de flashcard com imagens das faixas coloridas
- Associar cada cor a um objeto do cotidiano com aquela cor e um número
Com prática regular, a leitura das cores se torna automática em poucas semanas.
Cores especiais: dourado, prateado e sua ausência
Além das 10 cores de dígito, o sistema utiliza três indicadores adicionais que aparecem exclusivamente nas faixas de multiplicador e tolerância. Eles não representam dígitos e nunca ocupam as primeiras posições de leitura.
Dourado:
- Como multiplicador: ×0,1
- Como tolerância: ±5%
- Uso típico: resistores de uso geral, muito comuns em circuitos domésticos e educacionais
Prateado:
- Como multiplicador: ×0,01
- Como tolerância: ±10%
- Uso típico: circuitos onde uma variação maior de resistência é aceitável
Ausência de faixa de tolerância:
- Indica tolerância de ±20%
- Resistores sem essa faixa são os menos precisos disponíveis no mercado
- Raramente usados em projetos modernos
Saber distinguir essas cores especiais é essencial para não confundir a faixa de tolerância com uma faixa de dígito durante a leitura do componente.
Lendo Resistores de 4 Faixas
O resistor de 4 faixas é o modelo mais comum encontrado em kits de eletrônica, bancadas de reparo e projetos educacionais. Entender o código de cores do resistor nesse formato é o primeiro passo prático: as duas primeiras faixas representam dígitos significativos, a terceira indica o multiplicador e a quarta informa a tolerância.
Estrutura das faixas: 1ª e 2ª dígito, multiplicador e tolerância
Cada faixa em um resistor de 4 bandas tem uma função específica e bem definida. Entender o papel de cada posição é o que permite calcular o valor nominal com precisão.
A estrutura funciona assim:
- 1ª faixa: primeiro dígito significativo do valor de resistência
- 2ª faixa: segundo dígito significativo do valor de resistência
- 3ª faixa: multiplicador, que define a potência de 10 pela qual os dois dígitos serão multiplicados
- 4ª faixa: tolerância, que indica o desvio percentual aceitável em relação ao valor nominal
Exemplo prático:
Um resistor com as faixas amarelo, violeta, vermelho e dourado:
- Amarelo = 4
- Violeta = 7
- Vermelho = ×100
- Dourado = ±5%
Cálculo: 47 × 100 = 4.700 ohms (4,7 kΩ) com tolerância de ±5%
Esse é um dos valores mais encontrados em circuitos eletrônicos do dia a dia, como em projetos com Arduino e amplificadores simples.
Como identificar qual lado iniciar a leitura
Um dos pontos que mais gera dúvida em iniciantes ao aplicar o código de cores do resistor é saber por qual extremidade a leitura deve começar. O componente não traz uma indicação explícita de direção.
Existem algumas formas confiáveis de identificar o lado correto:
- Espaçamento entre faixas: a faixa de tolerância costuma ser posicionada com um espaço maior em relação às demais, ficando levemente afastada da extremidade direita
- Cor da última faixa: dourado e prateado quase nunca aparecem como primeira faixa de leitura
- Faixa mais próxima da extremidade: em geral, a primeira faixa de dígito está posicionada mais próxima de uma das bordas do componente
Quando ainda houver dúvida, a orientação mais segura é:
- Identificar a faixa de tolerância (dourado ou prateado)
- Posicioná-la sempre à direita
- Iniciar a leitura da esquerda para a direita
Em casos onde nenhuma das faixas é dourada ou prateada, o uso de um multímetro para medir a resistência real é a forma mais precisa de confirmar o valor antes de instalar o componente no circuito.
Exemplos práticos de leitura e cálculo
A melhor forma de consolidar o aprendizado é praticar com exemplos variados. Os três casos abaixo cobrem situações comuns em projetos reais.
Exemplo 1: Resistor marrom, preto, laranja, dourado
- Marrom = 1 / Preto = 0 / Laranja = ×1.000 / Dourado = ±5%
- Resultado: 10.000 ohms (10 kΩ) ±5%
- Uso típico: circuitos de pull-up e pull-down com microcontroladores
Exemplo 2: Resistor vermelho, vermelho, marrom, prateado
- Vermelho = 2 / Vermelho = 2 / Marrom = ×10 / Prateado = ±10%
- Resultado: 220 ohms ±10%
- Uso típico: limitador de corrente em circuitos com LEDs de 5V
Exemplo 3: Resistor laranja, branco, preto, dourado
- Laranja = 3 / Branco = 9 / Preto = ×1 / Dourado = ±5%
- Resultado: 39 ohms ±5%
- Uso típico: circuitos de áudio e redes de resistores para ajuste de impedância
Praticar esses cálculos mentalmente é o caminho mais rápido para ganhar fluência na leitura de qualquer resistor convencional de 4 faixas.
Lendo Resistores de 5 e 6 Faixas
Os resistores de 5 e 6 faixas são versões mais avançadas do componente, desenvolvidas para aplicações que exigem maior precisão. A estrutura do código de cores do resistor nesses modelos segue a mesma lógica dos de 4 faixas, com a adição de uma ou duas faixas extras que carregam informações técnicas mais detalhadas.
A 3ª faixa de dígito: quando e por que ela aparece
Nos resistores de 5 faixas, a terceira posição deixa de ser o multiplicador e passa a ser um terceiro dígito significativo. O multiplicador é deslocado para a quarta faixa, e a tolerância permanece na quinta.
A estrutura fica assim:
- 1ª faixa: primeiro dígito significativo
- 2ª faixa: segundo dígito significativo
- 3ª faixa: terceiro dígito significativo
- 4ª faixa: multiplicador
- 5ª faixa: tolerância
Exemplo prático:
Resistor marrom, verde, preto, vermelho e marrom:
- Marrom = 1 / Verde = 5 / Preto = 0 / Vermelho = ×100 / Marrom = ±1%
- Resultado: 15.000 ohms (15 kΩ) ±1%
Esse nível de detalhamento é necessário em circuitos de instrumentação, fontes de precisão e equipamentos de medição, onde uma variação de poucos ohms pode comprometer o funcionamento do sistema.
Resistores de precisão e a faixa de coeficiente de temperatura
Os resistores de 6 faixas adicionam uma sexta banda ao final da sequência. Essa faixa indica o coeficiente de temperatura do componente, também chamado de TCR (Temperature Coefficient of Resistance).
O TCR informa o quanto o valor de resistência varia para cada grau Celsius de variação na temperatura. A unidade utilizada é ppm/°C.
| Cor | TCR (ppm/°C) |
|---|---|
| Preto | 250 |
| Marrom | 100 |
| Vermelho | 50 |
| Laranja | 15 |
| Amarelo | 25 |
| Verde | 20 |
| Azul | 10 |
| Violeta | 5 |
| Cinza | 1 |
Componentes com TCR de 5 a 10 ppm/°C são considerados de alta precisão e são usados em:
- Equipamentos de medição e calibração
- Circuitos de referência de tensão
- Amplificadores de instrumentação
- Sistemas embarcados em ambientes com variação térmica intensa
Diferenças práticas entre 4, 5 e 6 faixas na aplicação em circuitos
Escolher entre um resistor de 4, 5 ou 6 faixas não é uma questão estética. Cada tipo atende a uma classe específica de aplicação.
Resistor de 4 faixas:
- Tolerância típica: ±5% ou ±10%
- Aplicações: circuitos gerais, prototipagem, limitadores de corrente em LEDs
- Custo: mais baixo / Disponibilidade: altíssima
Resistor de 5 faixas:
- Tolerância típica: ±1% ou ±2%
- Aplicações: fontes reguladas, divisores de tensão de precisão, filtros ativos
- Identificação visual: corpo frequentemente azul ou verde
Resistor de 6 faixas:
- Tolerância típica: ±1% ou melhor
- TCR informado diretamente no componente
- Aplicações: instrumentação, circuitos de referência, ambientes com variação térmica
Na prática, a maioria dos projetos com Arduino e automação residencial funciona perfeitamente com resistores de 4 faixas. Os modelos de 5 e 6 faixas entram em cena quando a margem de erro do circuito é pequena e a confiabilidade do valor nominal faz diferença real no resultado final.
Tolerância e Confiabilidade do Componente
A tolerância indica o quanto o valor real de resistência pode se desviar do valor nominal indicado pelo código de cores do resistor. Esse desvio é expresso em porcentagem e está diretamente relacionado ao processo de fabricação. Compreender a tolerância é essencial para garantir que o circuito funcione dentro dos parâmetros esperados.
O que é tolerância e como ela afeta o circuito
Durante a fabricação, é impossível produzir um resistor com valor exato de resistência em escala industrial. Sempre existe uma pequena variação entre o valor nominal e o valor real medido. A tolerância define o limite máximo aceitável para essa variação.
Exemplo prático:
Um resistor de 1.000 ohms com tolerância de ±5% pode ter, na prática, qualquer valor entre:
- 950 ohms (limite inferior)
- 1.050 ohms (limite superior)
Essa variação pode ser irrelevante em um circuito simples de LED, mas se torna crítica em situações como:
- Divisores de tensão que alimentam conversores analógico-digitais (ADC)
- Circuitos de amplificação com ganho definido por relação entre resistores
- Filtros de frequência onde a resistência determina a frequência de corte
- Circuitos de proteção onde o limite de corrente precisa ser preciso
Em aplicações críticas, usar um resistor com tolerância inadequada pode causar desde leituras imprecisas de sensores até falhas de proteção em equipamentos.
Faixas de tolerância: de ±1% a ±20%
O mercado oferece resistores em diferentes classes de tolerância, cada uma representada por uma cor específica na faixa de tolerância do componente.
| Cor | Tolerância |
|---|---|
| Cinza | ±0,05% |
| Violeta | ±0,1% |
| Azul | ±0,25% |
| Verde | ±0,5% |
| Marrom | ±1% |
| Vermelho | ±2% |
| Dourado | ±5% |
| Prateado | ±10% |
| Sem faixa | ±20% |
As tolerâncias mais encontradas no mercado para eletrônica geral são:
- ±1% (marrom): resistores de filme metálico, padrão em projetos de precisão moderada
- ±5% (dourado): resistores de filme de carbono, os mais comuns em kits e prototipagem
- ±10% (prateado): cada vez mais raros, usados onde a precisão não é prioritária
Como escolher a tolerância adequada para cada projeto
A escolha da tolerância correta envolve equilibrar três fatores: requisito técnico do circuito, disponibilidade no mercado e custo do componente.
Use ±5% quando:
- O circuito for de uso geral, educacional ou de prototipagem
- A variação de alguns ohms não impactar o funcionamento
- O custo for um fator importante no projeto
Use ±1% quando:
- O circuito envolver divisores de tensão de referência
- Houver amplificadores operacionais com ganho definido por resistores
- O projeto exigir repetibilidade entre unidades fabricadas em série
Use ±0,5% ou melhor quando:
- O circuito for de instrumentação ou medição
- A calibração do equipamento depender da estabilidade do valor de resistência
- O ambiente de operação envolver variações de temperatura significativas
Os resistores seguem sequências padronizadas chamadas de séries E:
- Série E24: 24 valores por década, compatível com tolerância de ±5%
- Série E96: 96 valores por década, compatível com tolerância de ±1%
- Série E192: 192 valores por década, para tolerâncias de ±0,5% ou menores
Conhecer as séries E ajuda a selecionar o valor de resistência disponível no mercado mais próximo do valor calculado no projeto.
Ferramentas e Métodos de Cálculo
Identificar o valor de um resistor pelo código de cores do resistor é uma habilidade que se desenvolve com prática, mas contar com ferramentas de apoio acelera o processo e reduz erros, especialmente em projetos com grande volume de componentes.
Calculadoras de código de cores online e offline
As calculadoras de código de cores permitem inserir as cores das faixas e obter o valor de resistência instantaneamente, sem precisar memorizar a tabela ou fazer o cálculo manualmente.
Calculadoras online:
- Acessadas diretamente pelo navegador, sem necessidade de instalação
- Permitem selecionar o número de faixas (4, 5 ou 6) e as cores correspondentes
- Exibem o valor em ohms, kilohms ou megaohms automaticamente
- Algumas fazem o caminho inverso: o usuário informa o valor desejado e a ferramenta mostra as cores correspondentes
Calculadoras offline:
- Disponíveis como softwares para Windows, Linux e macOS
- Úteis em bancadas sem acesso à internet
- Algumas versões integram tabelas de séries E
Além das ferramentas digitais, existe a versão física chamada de disco de resistores ou régua de código de cores, um material impresso com a tabela completa que técnicos costumam manter na bancada como referência rápida.
Uso do multímetro para confirmar o valor medido
Independentemente de qualquer ferramenta visual ou digital, o multímetro é o instrumento que fornece a confirmação definitiva do valor real de resistência de um componente.
O processo de medição é simples e direto:
- Gire o seletor do multímetro para a função de medição de resistência, identificada pelo símbolo Ω
- Selecione uma faixa de medição compatível com o valor esperado, quando o aparelho não for autorange
- Encoste as pontas de prova nas duas extremidades do resistor, sem segurar os terminais metálicos com os dedos
- Aguarde a estabilização do valor no display
Situações em que a medição com multímetro é indispensável:
- Resistores com faixas de cor desgastadas ou com coloração ambígua
- Componentes sem identificação visual legível, como resistores SMD
- Verificação de componentes usados retirados de placas em reparo
- Confirmação de valores críticos antes da montagem final do circuito
Um detalhe importante: nunca meça a resistência de um componente enquanto ele estiver soldado em uma placa energizada. A tensão presente no circuito danifica o multímetro e torna a leitura completamente inválida.
Aplicativos mobile para leitura de resistores por câmera
Uma das adições mais práticas aos métodos de identificação nos últimos anos são os aplicativos que utilizam a câmera do smartphone para reconhecer as faixas e calcular o valor automaticamente.
O funcionamento geral segue estas etapas:
- O usuário aponta a câmera para o resistor
- O aplicativo identifica as faixas de cor por visão computacional
- O valor de resistência é exibido na tela em tempo real
As principais vantagens desse método são:
- Velocidade na identificação, especialmente em bancadas com muitos componentes
- Não exige memorização da tabela de cores
- Funciona bem em ambientes com boa iluminação
Os pontos de atenção incluem:
- A precisão depende diretamente da qualidade da iluminação
- Cores próximas, como marrom e vermelho ou laranja e amarelo, podem ser confundidas pelo sistema
- Resistores com faixas desgastadas reduzem a confiabilidade do resultado
Para projetos profissionais, o fluxo mais confiável combina as três abordagens: leitura visual das faixas, confirmação pelo aplicativo e verificação final com o multímetro antes da instalação do componente no circuito.
Aplicação Prática em Projetos Eletrônicos
Dominar o código de cores do resistor vai além da leitura do componente em si. Na prática, esse conhecimento é aplicado diretamente na escolha, no cálculo e na substituição de resistores em circuitos reais. Saber selecionar o componente certo para cada situação é o que diferencia um projeto que funciona de um que apresenta falhas ou comportamento imprevisível.
Seleção do resistor correto em divisores de tensão
O divisor de tensão é um dos circuitos mais básicos e mais utilizados em eletrônica. Ele é formado por dois resistores em série conectados entre uma tensão de alimentação e o terra, com a saída captada no ponto intermediário entre os dois componentes.
A fórmula que determina a tensão de saída é:
Vout = Vin × (R2 / R1 + R2)
A escolha correta dos resistores nesse circuito depende de dois fatores principais:
- Relação entre os valores: o que define a tensão de saída é a proporção entre R1 e R2, não os valores absolutos
- Tolerância dos componentes: em divisores que alimentam entradas analógicas de microcontroladores ou ADCs, resistores de ±1% são preferíveis aos de ±5%
Exemplos de aplicação em projetos reais:
- Adaptação de sensores com saída de 5V para microcontroladores que operam em 3,3V
- Leitura de tensão de baterias por meio de entradas analógicas
- Circuitos de polarização de transistores em amplificadores de áudio simples
Uso em circuitos com LEDs: cálculo do resistor limitador
O resistor limitador de corrente é um dos usos mais comuns em eletrônica. Todo LED precisa de um resistor em série para limitar a corrente que passa por ele, evitando que o componente seja destruído.
O cálculo segue a lei de Ohm aplicada ao circuito:
R = (Vfonte – Vled) / Iled
Onde:
- Vfonte: tensão de alimentação do circuito
- Vled: queda de tensão direta do LED (tipicamente 2V para LEDs vermelhos e amarelos, 3,2V para azuis e brancos)
- Iled: corrente de operação do LED (tipicamente 10 mA a 20 mA)
Exemplo prático:
Circuito com fonte de 5V, LED vermelho (Vled = 2V) e corrente de 15 mA:
R = (5 – 2) / 0,015 = 200 ohms
Como 200 ohms não é um valor da série E24, o valor normalizado mais próximo é 220 ohms, amplamente disponível no mercado.
Pontos importantes na escolha do resistor limitador:
- Sempre arredondar para o valor normalizado imediatamente acima do calculado
- Verificar a potência dissipada pelo resistor
- Em projetos com múltiplos LEDs, calcular um resistor individual para cada LED
Substituição e equivalências em reparos de placas
Durante o reparo de placas eletrônicas, é comum encontrar resistores danificados por calor, sobretensão ou envelhecimento. Nesses casos, saber interpretar o código de cores do resistor é o primeiro passo para identificar o valor original e encontrar um substituto adequado.
O processo de substituição envolve três etapas principais:
1. Identificação do valor original:
- Leitura das faixas de cor do componente, se ainda estiver legível
- Consulta ao esquema elétrico da placa, quando disponível
- Medição com multímetro, se o resistor ainda apresentar continuidade parcial
- Comparação com componentes idênticos em outros pontos da mesma placa
2. Verificação dos parâmetros além do valor nominal:
- Tolerância requerida pelo circuito
- Potência nominal do componente original, identificada pelo tamanho físico
- Coeficiente de temperatura, em circuitos de precisão
3. Critérios para substituição equivalente:
- O valor de resistência deve ser idêntico ao original
- A potência do substituto deve ser igual ou superior à do componente original
- A tolerância do substituto pode ser igual ou melhor, nunca pior em circuitos críticos
- O tamanho físico deve ser compatível com o espaço disponível na placa
Um erro comum em reparos é substituir um resistor apenas pelo valor nominal, ignorando a potência. Um resistor de 220 ohms de 1/8W colocado em uma posição que exige 1/2W vai superaquecer e queimar novamente.
Manter um estoque organizado pelos valores da série E24 em potências de 1/4W e 1/2W cobre a grande maioria das necessidades de reparo em eletrônica de consumo, automação residencial e equipamentos industriais de baixa potência.
Perguntas Frequentes
Como ler o código de cores de um resistor de 4 faixas?
Para ler um resistor de 4 faixas, posicione o componente com a faixa de tolerância (dourada ou prateada) à direita. Leia da esquerda para a direita: a 1ª e a 2ª faixa formam os dois dígitos significativos, a 3ª faixa é o multiplicador e a 4ª indica a tolerância. Multiplique os dois dígitos pelo valor do multiplicador para obter a resistência em ohms.
O que significa a faixa dourada ou prateada no resistor?
A faixa dourada indica tolerância de ±5% e, quando usada como multiplicador, representa o fator ×0,1. A faixa prateada indica tolerância de ±10% e, como multiplicador, representa ×0,01. Essas cores nunca aparecem como primeira faixa de dígito, o que ajuda a identificar o lado correto de leitura do componente.
Como calcular o valor de resistência usando as cores?
Identifique os dois primeiros dígitos pelas cores das duas primeiras faixas e junte-os para formar um número de dois algarismos. Em seguida, multiplique esse número pelo valor do multiplicador indicado pela terceira faixa. O resultado é o valor nominal de resistência em ohms. Para resistores de 5 faixas, o mesmo processo se aplica com três dígitos significativos antes do multiplicador.
Qual é a diferença entre resistor de 4, 5 e 6 faixas?
O resistor de 4 faixas é o mais comum, com dois dígitos significativos e tolerância geralmente de ±5%. O de 5 faixas adiciona um terceiro dígito significativo, permitindo maior precisão no valor nominal, com tolerâncias típicas de ±1%. O de 6 faixas inclui ainda uma faixa adicional que indica o coeficiente de temperatura (TCR), usado em aplicações onde a estabilidade da resistência em diferentes temperaturas é um requisito técnico do projeto.

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