Existem três tipos principais de para-raios usados no Brasil: Franklin, Gaiola de Faraday e Estrutural. Cada um protege o imóvel de um jeito diferente, e o mais indicado depende do tipo de construção, do tamanho e do uso da edificação.
Se você é síndico, dono de empresa ou gestor de um imóvel e precisa instalar ou regularizar o sistema de proteção contra raios, entender essas diferenças ajuda a conversar melhor com o engenheiro e a tomar decisões mais seguras.
Afinal, quantos Tipos de SPDA existem?
A norma brasileira que regulamenta para-raios, a NBR 5419, reconhece três tipos de SPDA (que é o nome técnico do sistema completo de para-raios). Cada tipo usa uma estratégia diferente para captar o raio antes que ele atinja a edificação.
Pense assim: todos os três tipos fazem a mesma coisa, que é criar um caminho seguro para o raio chegar ao solo sem causar danos. A diferença está na forma como esse caminho começa lá no topo do prédio.
Todo para-raios tem as mesmas três partes
Independentemente do tipo, todo sistema de para-raios tem três partes: a captação (que recebe o raio lá em cima), a descida (os cabos que conduzem a corrente do raio até o chão) e o aterramento (que dispersa essa corrente no solo). O que muda de um tipo para outro é a forma da captação.
Isolado ou não isolado: o que muda na prática
Além dos três tipos, o para-raios pode ser instalado de duas formas. Na forma não isolada, que é a mais comum, os cabos e condutores ficam fixados diretamente no prédio. Na forma isolada, o sistema fica afastado da estrutura, sem tocá-la.
O sistema isolado é necessário em situações especiais, como postos de combustível, indústrias com risco de explosão ou locais com materiais inflamáveis na cobertura. Na maioria dos prédios residenciais e comerciais, o sistema não isolado atende perfeitamente.
Para-raios Franklin: o mais conhecido
Quando você imagina um para-raios, provavelmente está pensando no Franklin. É aquela haste metálica pontuda, instalada no ponto mais alto do edifício, que se tornou símbolo da proteção contra raios.
Como funciona na prática
A haste do Franklin cria uma zona de proteção em formato de cone ao redor dela. Imagine um guarda-chuva invertido: tudo o que fica dentro desse “cone” está protegido. Quanto mais alta a haste, maior a área coberta.

O detalhe é que esse cone tem limites. Em prédios muito altos ou coberturas muito extensas, um único captor não dá conta de proteger tudo. Nesse caso, ou o engenheiro instala vários captores, ou opta por outro tipo de sistema.
Onde ele é mais usado
O Franklin é a escolha natural para edificações mais simples e de altura moderada: casas, igrejas, escolas, pequenos prédios comerciais. Também é muito usado como complemento em projetos maiores, protegendo antenas, caixas d’água e chaminés que ficam acima da cobertura principal.
Em projetos reais de SPDA, um erro frequente observado em campo é usar o Franklin como solução única para galpões com coberturas grandes e planas. Nesses casos, seria necessário um número exagerado de hastes, tornando o projeto mais caro e complexo do que deveria.
Para saber mais sobre esse método, veja o artigo completo sobre SPDA Franklin.
Muitos síndicos só descobrem qual tipo de para-raios o prédio tem quando precisam renovar o AVCB. Você sabe qual sistema está instalado no seu edifício?
Gaiola de Faraday: proteção que cobre a cobertura inteira
Em vez de concentrar a proteção em pontos específicos como o Franklin, a Gaiola de Faraday espalha uma rede de cabos condutores por toda a cobertura do prédio. Imagine uma malha, como uma rede de pesca, instalada sobre o telhado. Qualquer raio que cair na cobertura será captado por essa malha.

Como funciona a malha
Os cabos são instalados formando quadrados ou retângulos sobre a cobertura. O tamanho desses quadrados varia conforme o nível de proteção exigido. Quanto maior a proteção necessária, menores são os quadrados da malha, o que significa mais cabos cobrindo a superfície.
Em inspeções técnicas realizadas em edifícios mais antigos, é comum encontrar malhas com espaçamentos maiores do que a norma atual permite. Isso acontece porque muitos prédios foram construídos sob regras antigas e nunca foram adequados à versão vigente.
Onde esse tipo faz mais sentido
A Gaiola de Faraday é a escolha preferida para prédios altos, edifícios com coberturas planas extensas, hospitais, universidades, shoppings e indústrias. Ela distribui a proteção de forma uniforme, o que é especialmente importante quando o telhado é grande demais para ser coberto por captores pontuais.
Para entender melhor, leia o artigo sobre SPDA Gaiola de Faraday.
SPDA Estrutural: o para-raios invisível
O SPDA estrutural é o mais discreto dos três. Ele aproveita as ferragens de aço que existem dentro do concreto armado do prédio para conduzir a corrente do raio. Ou seja, o próprio esqueleto do edifício funciona como sistema de proteção.
Isso significa menos cabos aparentes na fachada, o que é uma vantagem estética significativa em condomínios residenciais e prédios comerciais de alto padrão.
Como a estrutura do prédio vira para-raios
Dentro das colunas, vigas e lajes de um edifício de concreto armado existem barras de aço interligadas. Se essas barras estiverem devidamente conectadas entre si, elas formam um caminho contínuo para a corrente do raio, desde o topo até a fundação. O raio entra pela cobertura e desce pela própria estrutura do prédio até chegar ao solo.
Na prática de engenharia, o SPDA estrutural funciona melhor quando é planejado junto com a construção. Assim, o engenheiro responsável pelo para-raios trabalha lado a lado com o engenheiro civil, garantindo que as armaduras sejam interligadas da forma correta desde o início da obra.
O problema mais comum desse tipo
Esse é um dos problemas mais recorrentes em avaliações de conformidade: prédios construídos sem planejamento prévio do SPDA podem ter armaduras que não estão devidamente conectadas. Sem essa continuidade elétrica, o aço dentro do concreto não funciona como condutor e o sistema simplesmente não protege.

Em edifícios já construídos, é necessário fazer medições específicas para verificar se a estrutura realmente pode ser aproveitada. Quando a continuidade não é comprovada, o engenheiro precisa instalar um sistema externo adicional.
Para saber mais, acesse o artigo sobre SPDA Estrutural.
Cada edificação possui características próprias. O seu prédio foi construído em concreto armado? Você sabe se as armaduras foram planejadas para funcionar como parte do para-raios?
Como saber qual tipo é o certo para o seu imóvel
Essa é uma pergunta que muita gente faz, mas a resposta sincera é: quem define o tipo de para-raios ideal não é o proprietário do imóvel. É o engenheiro, com base em uma análise técnica.
Quem decide é o engenheiro, não o cliente
O primeiro passo é a análise de risco, que avalia o quanto o imóvel está exposto a descargas atmosféricas. Esse cálculo considera a localização, a quantidade de raios da região, o tipo de construção e o uso da edificação. O resultado indica o nível de proteção necessário, e a partir disso o engenheiro define qual tipo de SPDA atende melhor.
Esse trabalho faz parte do projeto de SPDA, que deve ser assinado por engenheiro com registro ativo no CREA e acompanhado de ART.
O que influencia a escolha
Na análise de risco, entram fatores como a geometria do telhado, a altura do edifício, o material da construção e a sensibilidade dos equipamentos internos. Um hospital com tomógrafo demanda proteção diferente de um galpão de estoque. Uma igreja pequena tem necessidades distintas de um shopping center.
Não existe um tipo universalmente melhor. Existe o tipo certo para cada situação.
Cuidado com para-raios que não são aceitos pela norma
Nem todo para-raios vendido no mercado está de acordo com a norma brasileira. O exemplo mais conhecido é o para-raio ionizante, que chegou a ser bastante comercializado, mas não é reconhecido pela NBR 5419:2026.
A norma só aceita métodos cuja proteção seja determinada pelas dimensões físicas reais do captor. Sistemas que prometem uma cobertura maior do que o tamanho real do equipamento não têm respaldo técnico.
Em adequações para AVCB, é relativamente comum encontrar prédios que ainda possuem captores ionizantes instalados. Nesses casos, o sistema precisa ser substituído por um dos três tipos aceitos pela norma. Para entender os riscos, veja o artigo sobre para-raio ionizante.
Perguntas Frequentes
Dá para misturar mais de um tipo no mesmo prédio? Sim, e isso é bastante comum. Um edifício pode ter malha (Gaiola de Faraday) na cobertura principal e captores verticais (Franklin) protegendo antenas ou caixas d’água que ficam em pontos mais altos.
Qual tipo de para-raios é mais barato? Depende da situação. O SPDA estrutural tende a ser mais econômico quando planejado junto com a obra, porque aproveita o aço que já faz parte da construção. Já em edificações existentes, o custo varia conforme o tipo escolhido, o tamanho do imóvel e o nível de proteção exigido.
Qual tipo é usado em galpões metálicos? Em muitos galpões, a própria estrutura metálica pode funcionar como parte do para-raios, desde que atenda aos requisitos técnicos. Cada caso precisa de avaliação específica. Para mais detalhes, veja o artigo sobre SPDA industrial.
De quanto em quanto tempo preciso inspecionar o para-raios? Para os níveis de proteção mais rigorosos (I e II), a inspeção deve ser feita a cada ano. Para os níveis III e IV, a cada dois anos. Saiba mais no artigo sobre manutenção de para-raios.
Próximo passo
Agora que você conhece os três tipos de para-raios aceitos pela norma, fica mais fácil entender o que um engenheiro vai propor para o seu imóvel. Cada edificação tem características próprias, e a escolha do sistema adequado passa sempre por uma análise técnica.
Se você precisa instalar, adequar ou inspecionar um sistema de proteção contra raios, conversar com um profissional habilitado é o caminho mais seguro. Nossa equipe pode ajudar com isso. Fale com a gente.







